A ditadura comunista e a emocionante luta do povo cubano por liberdade

Gabriel Kanner 16/07/2021

Enquanto o povo cubano trava uma árdua e corajosa luta pela liberdade, a esquerda brasileira faz o vil papel de defender a ditadura


Desde que começaram a pipocar vídeos na internet do povo cubano indo às ruas contra a ditadura comunista que assola o país há mais de 60 anos, fiquei agitado e esperançoso. A última vez que ocorreu algo semelhante foi em 1994, quando manifestantes marcharam em Havana contra o governo de Fidel Castro. Porém, o pequeno protesto ocorrido há quase 30 anos foi rapidamente controlado por Fidel, que chegou a ir ao encontro dos manifestantes e estancou o problema no mesmo dia. Agora, Cuba vive uma situação inédita. Os protestos se espalham por várias cidades e já duram 4 dias. 


Estamos presenciando um momento emblemático, histórico. É emocionante ver um povo sofrido, prisioneiro de seu próprio governo, ter a coragem de se rebelar e sair às ruas. É comovente ver um povo abandonado e desarmado, sem nenhuma ferramenta além das próprias mãos, partir para a luta contra um Estado totalitário.


O principal clamor dos manifestantes em Cuba é por liberdade. Quero ser muito enfático neste ponto. Quero que o leitor, principalmente o que está tentando de alguma forma defender o governo cubano, reflita sobre o que este grito por liberdade significa. Enquanto no Brasil estamos discutindo assuntos que consideramos muito importantes (e de fato são)—reforma tributária, reforma administrativa, quais os limites de cada poder da República—os cubanos estão pedindo liberdade. Liberdade para ir e vir. Liberdade para viajar. Liberdade para empreender. Liberdade para comer o que bem entender. O povo cubano é privado de todas essas liberdades. Um povo que pede liberdade é um povo escravizado.


Conversei com uma amiga cubana que está desde 2000 morando nos EUA. O relato que descrevo abaixo é pessoal, de uma pessoa que viveu sob o regime comunista e conseguiu escapar dele para buscar uma vida melhor. Como ela ainda tem família em Cuba, prefere não se identificar por medo de represálias. Vou chamá-la de Lorena.


Prisioneiros do governo


Cubanos são proibidos de sair da ilha. Por isso, muito arriscam a vida atravessando o oceano em condições precárias para tentarem chegar aos EUA. Em 1994, para aliviar a pressão da população, o governo começou a sortear pessoas que poderiam tirar visto. Foi assim que Lorena conseguiu chegar aos EUA. Após se inscrever na loteria governamental em 1998, foi selecionada em 1999 e em 2000 se mudou para os EUA. Conheceu um brasileiro, se casou, e hoje tem uma família maravilhosa em solo americano. Mas a família de Lorena continua em Cuba, vivendo em situação desumana.


“O governo decide o que vamos comer”


Lorena conta como funciona o racionamento da comida em Cuba. Cada pessoa pode comprar um pão por dia. Se há uma família de 5 pessoas, um representante da família se dirige à padaria (controlada pelo governo) e retira 5 pães. Seu nome é anotado num caderno. Essa família não pode mais comprar pão naquele dia.


Para ir ao supermercado há um processo similar, porém mais espaçado. Cada família tem  o direito de fazer compras no supermercado uma vez por mês(!). E, mesmo nesta visita mensal, não se pode comprar tudo o que quiser. Há um limite por produto. Cada pessoa, por exemplo, tem direito a 5 libras (cerca de 2,3 kg) de arroz por mês. Lorena conta que sua irmã, para comprar 1 kg de arroz diretamente de um produtor, teve que se encontrar com ele à noite numa rua deserta, como se estivesse comprando drogas. Isso porque os produtores podem ser presos se forem pegos vendendo produtos diretamente. Tudo deve ser vendido através dos mercados controlados pelo governo.

Proteína animal é mais difícil de se encontrar. Carne vermelha praticamente não existe. Carne de porco ou frango é mais comum, porém é normal estar em falta no supermercado. Peixe, tampouco. “Somos uma ilha, e não conseguimos colocar peixe no supermercado!”, diz Lorena. E, se não tiver o produto naquele dia, só é possível procurar novamente no mês seguinte.


“O mito da medicina cubana é uma fraude”


O relato de Lorena sobre a situação de sua mãe é o suficiente pra destruir qualquer narrativa fantasiosa sobre as maravilhas da medicina cubana. Sua mãe, que mora até hoje em Cuba, sofreu um AVC há 11 anos. Lorena teve que enviar uma cadeira de rodas dos EUA para ela utilizar. Ela tem necessidade de usar fraldas, que Lorena envia rotineiramente, junto com outros medicamentos que a família não consegue comprar em Cuba. Lorena também tentou enviar uma cama de hospital para dar mais conforto à sua mãe, mas o governo barrou. O atendimento médico em Cuba é precário.


Diante da realidade cubana, só restam duas explicações para os comunistas brasileiros que se sujeitam à podridão moral para defender a ditadura da família Castro: ou são ignorantes e desconhecem os fatos, ou conhecem os fatos e são mau-caráter. Como sempre, terceirizam o problema para algo externo, pois são incapazes de culpar o comunismo por qualquer coisa. 


“Mas e os embargos americanos?”, eles perguntam. Finalizo com uma resposta da Lorena: “O maior embargo é do regime comunista, que há décadas não deixa o povo empreender, não deixa o povo sair do país e minou as possibilidades da população até ela ficar totalmente dependente do governo.”


Desejo sorte ao povo cubano. Que essa luta não seja em vão.

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