ANÁLISE: Bons sinais na economia

Editorial do Jornal 21/11/2020

A economia brasileira mostrou recuperação no terceiro trimestre diante do relaxamento das medidas de contenção ao novo coronavírus e o auxílio emergencial pago pelo governo, mas insuficiente para compensar a perda histórica de 10,2% nos três meses anteriores, impactados pela pandemia. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 1,3% em setembro ante o mês anterior, acima da projeção de 1%.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o país começa a dar os primeiros passos a fim de sair da recessão. Mas os resultados obtidos até agora ainda estão longe de trazer o país para a superfície. O setor de serviço, um dos que mais empregam no país, registrou avanço de 1,8% entre agosto e setembro. Foi o quarto resultado positivo consecutivo, com ganho acumulado de 13,4%, porém, abaixo das perdas acumuladas de 19,8% de fevereiro a maio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços está 18,3% abaixo do recorde histórico, alcançado em novembro de 2014, e 8% menor do que o de fevereiro deste ano.

Também em setembro, a Pesquisa Mensal de Comércio mostrou que as vendas no varejo tiveram alta de 0,6%, o quinto resultado positivo seguido, apesar de indicar uma desaceleração diante das altas registradas em agosto (3,1%), junho (8,7%) e maio (12,2%). A atividade industrial, por sua vez, apresentou desempenho positivo, com alta de 2,6% de agosto para setembro. Em 11 estados, entre os 15 pesquisados, houve ampliação da produção após as necessárias paralisações impostas pela covid-19.

Até os investidores estrangeiros, que tinham batido em retirada, voltaram a investir na Bolsa de Valores de São Paulo. Os sinais justificam o otimismo do ministro. Mas não são garantia de que o ritmo de recuperação será de acordo com suas expectativas. Há uma evidente desarmonia entre os projetos da equipe econômica e a resposta política do Congresso Nacional. Falta uma liderança que leve os congressistas a aprovarem as medidas indispensáveis para tirar o país da crítica situação em que se encontra.

Ainda que a campanha para as eleições municipais do próximo domingo tenha interferido na atividade legislativa, não houve empenho da base parlamentar de apoio ao governo para cumprir a agenda apresentada pela equipe econômica. Hoje, há dúvidas sobre a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e do próprio Orçamento da União para 2021. A reforma administrativa, considerada uma das mais importantes para o equilíbrio das contas públicas, apesar de restrita ao Executivo, adormece no Congresso.

A reforma tributária está longe de obter consenso para que seja apreciada e votada. Diante dessa inércia, o Brasil corre o risco de repetir em 2021 o mais do mesmo, postergando o reencontro com o desenvolvimento social e econômico tão necessário. O país sofre com 14 milhões de desempregados e o aumento da fome e da miséria, que o mantém como o nono mais desigual do mundo. Felizmente, ainda é possível reverter esse quadro. Basta vontade política.



Fonte: Correio Brasiliense