Novo complexo esportivo, hub tecnológico, restaurantes, shows… Como a gestão privada do Ibirapuera irá revolucionar o parque

Gabriel Kanner 25/06/2021

Sob gestão privada desde outubro de 2020, o Parque Ibirapuera passa por grandes transformações que mudarão completamente a experiência dos visitantes


O Parque Ibirapuera ocupa um lugar especial no coração dos paulistanos. Muitos são frequentadores assíduos do parque há décadas, e mesmo os que não são, nutrem um carinho pelo parque mais conhecido e emblemático da cidade. Eu mesmo nunca frequentei o parque semanalmente, mas foi lá que aprendi a andar de bicicleta com meu pai na década de 90. Muitos escolhem o Ibirapuera como cenário para fotos de casamento. E quem nunca recebeu alguém de fora da cidade e, ao rodear o Monumento às Bandeiras, exclamou, apontando para a direita, “esse é o Parque Ibirapuera!”?


Nos acostumamos a vivenciar o parque da forma como ele sempre foi, sem nenhum grande atrativo e praticamente sem nenhum serviço. Achávamos bom porque era o que conhecíamos. E agora, vendo as transformações sendo promovidas pelos novos gestores do parque, é difícil pensar como demoramos tanto tempo para iniciar esse processo. O Ibirapuera é como aquela garota que você via todo dia de uniforme no colégio e achava legal, mas absolutamente comum. Porém, quando a viu pela primeira vez arrumada em uma festa, levou um susto… “como eu nunca tinha reparado nela?” Agora sim, com gestão privada e arrumado para a festa, o Ibirapuera poderá atingir seu potencial.


A Urbia, empresa do Grupo Construcap, venceu a concessão do Parque Ibirapuera pelo período de 35 anos. O projeto prevê R$ 180 milhões de investimento no parque, sendo R$ 100 milhões já nos primeiros três anos. A agência Innova—All Around the Brand é o braço de marketing e captação do projeto e foi responsável, desde o início, por boa parte de sua concepção. Os gestores revelam que o Ibirapuera trará o que há de mais moderno nos parques do mundo todo. Segundo Alexandre Carmona, sócio-diretor da Innova, “a idéia é transformar completamente a experiência do parque. Você poderá chegar de manhã e estacionar com facilidade, tomar um café na padaria, fazer seu esporte preferido, tomar um banho com todo o conforto nos vestiários equipados com lockers, trabalhar no co-working com internet de alta velocidade, almoçar em um dos restaurantes, ver uma exposição internacional à tarde e ainda assistir a um show à noite. Será possível passar o dia todo no parque.”


Começando pelo principal DNA do Ibirapuera, o complexo esportivo do parque está sendo inteiro reformado. Dê adeus àquelas quadras de basquete e futsal com as grades enferrujadas, tinta verde desbotada e sem rede nos gols. O parque terá quadras, pistas de corrida, ciclovia e um hub funcional revitalizados. Os banheiros também estão sendo reformados e terão espaço com vestiário e lockers para guardar os pertences. Além disso, está sendo negociada a entrada de uma academia no parque.


O pólo gastronômico também trará diversas novas opções aos visitantes. Até então, o parque contava com 2 lanchonetes ou com os vendedores ambulantes para alimentação. Agora, estão sendo negociados 4 restaurantes premium e 9 lanchonetes. Além disso, um espaço patrocinado pelo iFood terá outras 6 opções de gastronomia. O iFood também instalará mobiliários com Wi-Fi para piquenique, onde as pessoas poderão fazer um pedido pelo aplicativo e recebê-lo dentro do parque. Outro patrocinador é a Ambev, que assume a venda de todas as bebidas do parque. Bebidas alcóolicas serão permitidas apenas dentro dos restaurantes ou em espaços delimitados para eventos.


Os pilares de responsabilidade social e sustentabilidade compõem parte importante do projeto. Os tradicionais vendedores ambulantes do parque faziam parte de 2 cooperativas, mas não havia qualquer organização ou padronização. Cada um comprava de um fornecedor diferente. Agora, além da padronização dos equipamentos, o projeto irá transformar os vendedores em micro-empreendedores (MEI) e instalar um centro de distribuição para atendê-los com eficiência e reduzir seus custos. Os novos gestores do parque também pretendem reduzir drasticamente os resíduos gerados, fazendo do Ibirapuera o parque mais sustentável da América Latina através do projeto Aterro Zero.


Por fim, o eixo cultural do parque, que hoje é muito mal aproveitado, terá uma intensa programação diária para atrair diversos tipos de público. A OCA terá exposições o ano todo, com três blockbusters por ano. O auditório, até então utilizado apenas para música, terá agora peças de teatro e dança, além de cinema a céu aberto e shows para até 15.000 pessoas na parte externa. O Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA) será um centro de inovação e empreendedorismo, com até uma incubadora para acelerar start-ups. 


O Parque Ibirapuera é o exemplo mais claro e atual de como a iniciativa privada é capaz de extrair muito mais valor de qualquer empreendimento, se comparada ao setor público. Nenhum dos argumentos falaciosos proferidos por aqueles que se opunham à concessão se sustentaram. O parque continuará sendo gratuito e totalmente democrático, mas agora com inúmeros serviços de qualidade aos quais os visitantes terão acesso. Que o caso do Parque Ibirapuera sirva de exemplo para diversas outras concessões ou privatizações no país inteiro. Esse é o Brasil do futuro.

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